quarta-feira, 19 de setembro de 2018

EU E DINA, NOSSO ROTEIRO DE VIAGEM E O NAVIO NORUEGUÊS AO FUNDO!


O NAVIO NORUEGUÊS NORWEGIAN

Entramos no navio às dez horas do dia nove de agosto, para um cruzeiro de nove dias. Após os documentos de praxe, recebemos, Dina e eu, minha companheira de camarote, a cabine 14.842, 14º andar, com varanda para o mar. Belo transatlântico! Branco, com alguns desenhos marítimos, semelhante a enorme edifício de quinze andares. Que visão impressionante! Capacidade para cinco mil pessoas e, acredito, deveria ter mesmo, entre tripulação e turistas.
Várias origens: poucos brasileiros e norte americanos, mais indianos, palestinos, japoneses, chineses, coreanos, jamaicanos, africanos e filipinos. Interessante essa variação. A língua predominante é o inglês, todos o conhecem. Chamou-nos a atenção um filipino, Guilhelmo, que cuidava dos camarotes dos brasileiros. Muito gentil, tentou servir com muita habilidade, embora tivesse problemas de comunicação. Além de passar o aspirador de pó duas vezes por dia, deixava sempre um bichinho em cima da cama, feito com toalhas. Muito delicado. Utilizava três toalhas de rosto. Só não gostei muito do último, que parecia uma cobra. Desmanchei logo. Acho que de tanto aspirar, levou minha caneta junto, não consegui anotar os últimos passeios.
O navio tinha de tudo! Refeições no último andar, com comida para todos os gostos, prevalecendo comida indiana e japonesa, mas, só procurar e achávamos frutas, iogurte, pães, queijos, café, leite, ovos, o que estávamos acostumados. Só tomei café forte, como o brasileiro, em Londres. Em compensação, o leite é mais forte que o nosso. Achei o pão, na Europa, muito gostoso, em todos os lugares. escuro, cascudo, mas, por dentro, macio e saboroso com manteiga. Comia tanto enquanto esperava o prato principal que Dina comentava: nem vai conseguir comer o resto. Não comia mesmo!
Com o frio e vento, não fomos à piscina e suas dependências, com muitas diversões para crianças. Bonito de ver. Frequentamos a parte interna, numerosa e movimentada. Cassino, para os amantes de jogo, bares e restaurantes, alguns incluídos em nossa excursão; comida à vontade, qualquer hora do dia. Salas para Internet, consultas para regulagem de celular, que não pegou no navio. Uma grande tela com notícias e brincadeiras interessantes, salas de teatro e shows internacionais. Quando em navegação, assistimos bons espetáculos, shows de dança, uma violinista; boleros e tangos para dançar, com alguns casais corajosos. Fiz parte desse grupo, mas meu par, um norte americano simpático, vermelho e corpulento, bebia tanto e dava tantas piruetas, que, com medo de cairmos, pedi licença e subi ao restaurante. Não me equilibro mais como antes. Até música brasileira, bossa nova, ouvimos de uma cantora e seu marido, tocador de teclado. Belas vozes! Bibliotecas, galeria de quadros, sempre expostos, um pequeno shopping com relógios, joias, bolsas, perfumes e algumas roupas, fazendo, às vezes, liquidações que atraiam. Interessei-me por relógios movidos à luz solar ou movimentos do braço. Sem corda e bateria. Nunca havia visto. Novidades!
Em dificuldades, éramos atendidas por brasileiros que trabalham no navio. São contratados por temporadas. Conhecemos uma simpática recepcionista carioca, Renata, que solucionou nossas dúvidas com celular e como lidar com a mudança do dinheiro. Disse-me, com saudade, que lembrava sua mãe. Acho que há tempos não ia para casa.
Na biblioteca, quis retirar algum livro emprestado, mas não eram em língua portuguesa e quando avistei Paulo Coelho, só em inglês. Não havia ninguém atendendo. O atendimento era mais atencioso com bebidas, comidas, jogos, compras e músicas. Pessoal em férias!
Mal sentimos o balançar do navio, mesmo quando houve ondas fortes e um pouco de chuva. Acordei uma noite com um clarão iluminando o quarto e barulhos de trovão. Parecia uma tempestade a caminho. Leve trepidar da cama no chão. Senti um pouco de medo e comecei a orar. Felizmente, as grossas nuvens escuras se acalmaram e o grande Norwegian voltou à suave navegação. Ninguém comentou sobre isso. Nem perceberam.
Tivemos belos amanheceres, quando o navio se aproximava da terra firme. Portos que visitaríamos. Mesmo nos dias nublados ou chuvosos, pequenos raios de sol coloriam a paisagem cinzenta. Fotografamos. Quando avistávamos os contornos das pequenas cidades costeiras, casas típicas, igrejas, nossa curiosidade aumentava. Estranho e lindo. Vestíamos o pouco que tínhamos de quente e preparávamos para a descida.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


PASSEIO PELA EUROPA: ESCANDINÁVIA!

Inscrevi-me para esta excursão com meses de antecedência, sem saber que era um cruzeiro pelo mar Báltico. Continuo distraída.
O objetivo principal foi conhecer portos marítimos de alguns países europeus como Copenhague, na Dinamarca; porto de Warnemunde, em Berlim, Alemanha; Taillimn, na Estônia; São Petersburgo, na Rússia; voltando o navio por Helsinki, na Finlândia; Estocolmo na Suécia e Copenhague, na Dinamarca. Voamos até Londres, onde permanecemos três dias e, finalmente, Brasil.
Lugares pouco conhecidos dos brasileiros, cultura e civilização diferente. Pertencem ao antigo, mas ainda primeiro mundo.
Embora verão, 18°, saímos de São Paulo no inverno, 19°. Lembrei-me de Érico Veríssimo e seu "Gato preto em campo de neve". Não levamos roupas apropriadas, esperando dias ensolarados. Recebíamos vento gelado ao sair do navio, em cada manhã. Ao meio dia, aparecia um solzinho acolhedor, retornando o frio, à noite. Foi uma correria para comprar gorros e xales, nas lojinhas abertas.
Acostumamos e curtimos a viagem, aprendendo e conhecendo lugares históricos, milenares.
Saímos de Guarulhos no dia 06 de agosto, às 15,45 e chegamos a Londres às 7,30. Permanecemos no aeroporto até a saída do avião para Copenhague, voo de duas horas. Como sempre, aeroportos cheios, muita fiscalização, preenchimentos de questionários, exames de rotina, desagradáveis, mas necessários no mundo atual.
A entrada em Copenhague, bela cidade, pequena, parte antiga conservada, contrastando com prédios de estrutura  moderna, da parte nova, compensou qualquer ansiedade.
O hotel em Copenhague, Bella Sky, o prédio mais arrojado que vi, em Center Boulevard 5, é de uma arquitetura semelhante a pirâmides invertidas que se comunicam. Várias construções num único hotel. Olhando para cima, tem-se a impressão que se inclina e pode cair sobre nós. Imagens de ilusão de ótica, em branco e preto.
Frequentado por pessoas de nível econômico e social, turistas sempre em movimento, ora recebe modelos para desfile de moda, ora congressistas em prol da cidadania e higiene alimentar. Fiquei uma tarde observando esse entra e sai. Um hotel, para quem escreve, dá inspiração para histórias e personagens incríveis. No caso, figuras humanas saudáveis e elegantes.
Perguntaram-me quando voltei, em qual lugar moraria? Respondi Copenhagen.
Suas avenidas não possuem faróis, só faixa para pedestres. Os carros param quando alguém quer atravessar. Em cada pedaço de terra, no centro das calçadas, plantam ervas, legumes, verduras. Vimos até beterrabas. Não soubemos como é feita a colheita, mas ninguém rouba. Dizem que a Dinamarca é o país mais civilizado do mundo. Percebe-se.
Saímos no dia seguinte para um tour na parte antiga, não falo velha porque nada aparenta velhice, e, a parte nova, ouvindo uma guia brasileira, Laissa, gaúcha, moradora em Copenhague. Explicou-nos muito sobre sua vida, a água potável da torneira, que seus filhos bebem; sobre as comidas, o que deveríamos experimentar: um tipo de pão recheado com várias coisas: verduras, queijo, carne, prato típico da região.
Um pouco corrido o passeio. Mesmo assim vimos o Parlamento, a Biblioteca, o Palácio Burgo das Rosas, com seus jardins floridos, rosas coloridas juntas num só galho; fontes com estátuas de deusas gregas; o parque da Sereia, figura lendária da cidade, com imagem à venda em lojas de lembrancinhas, homenagem a Hans Cristian Andersen, nascido em Copenhague, criador de muitas lendas. No parque da Sereia, além de uma cascata, encontramos uma estátua com corpo de mulher sobre uma pedra, motivo para fotos. Diz a lenda que a Sereia trocou seu rabo por pernas, em nome do amor, após salvar um príncipe de afogamento e se apaixonar por ele. Pede, então, à bruxa do mar para se tornar humana, dando sua voz em troca. A tentativa não dá certo, o príncipe se casa com outra e ela se transforma em espuma do mar. Essa lenda triste, escrita por Andersen em 1836, popularizou a Sereia, tornando-a maior atração de Copenhague. Sua estátua foi feita pelo dinamarquês Edvard Eriksen, sobre granito, no bairro do antigo porto de Nyhavn. O escultor usou o corpo da própria mulher como modelo.
Como sempre, após o passeio, terminamos num restaurante especializado em frutos do mar, sem faltar o chopp.
No dia seguinte, às dez horas, seguimos para o porto de Copenhague e embarcamos no navio Norwegian; a documentação semelhante ao aeroporto: passaporte, fiscalização de bagagens, polícia federal, um cartão de débito como caução, caso haja gastos além do previsto e iniciamos nosso fantástico cruzeiro.